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sábado, 7 de maio de 2011

Destruir para criar!" - Arte urbana

A arte urbana dos graffiti ganhou uma outra dimensão com o jovem artista português Alexandre Farto, também conhecido por Vhils. Este tornou-se conhecido quando apareceu, em Maio de 2008, na capa do jornal britânico "The Times", com uma criação sua ao lado de uma peça do famoso Banksy.
Este jovem do Seixal que começou aos 13 anos a pintar graffitis em comboios e paredes de ruas  formou-se em Belas Artes em Londres e explica-nos o seu original processo de criação:

 "Quis expor as várias camadas históricas e sociais que nos formam enquanto pessoas e cultura"[...] marco primeiro a forma que quero esculpir com spray e depois desbasto o que pintei na parede, trazendo ao de cima a volumetria da figura."

Os materiais que utiliza são pouco convencionais: além das habituais tintas de spray e stencils, o artista usa lixívia, ácidos corrosivos, álcool, produtos de limpeza, ferrugem e um martelo pneumático, além de explosivos.
De Lisboa a Londres, de Moscovo a Bogotá, as caras que Vhils espalhou pelo mundo estão reunidas num livro que chegou a  Portugal com a chancela da editora holandesa Lebowski e que está à venda na galeria Vera Cortês: Vhils/Alexandre Farto Selected Works 2005-2010.
Para mais informações poderá ser consultada  a página do projecto www.under-dogs.net

domingo, 1 de maio de 2011

Poema para o Dia da Mãe!

No dia da Mãe um poema do poeta,escritor e  tradutor
Eugénio de Andrade (1923 -2005)

Poema à mãe

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.