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sábado, 9 de outubro de 2010

Diálogo entre gerações

Diálogo entre gerações
 Vamos propor leituras e outras experiências lúdicas e culturais que possam ser partilhadas pelas várias gerações. Aqui se poderá indicar aquele livro de infância que partilhámos com o nosso filho, neto, sobrinho, aluno, ou com aqueles que ainda guardam uma criança dentro      de      si.
Sugerimos o livro as «Novas Aventuras do Menino Nicolau» para ler e reler dos 8 aos 88, editado pela Teorema.
O Nicolau, rapazinho malicioso e ingénuo nasceu com a escrita poética de Goscinny e o desenho divertido de Sempé. Criado há cerca de 50 anos, continua a seduzir com as travessuras dos seus endiabrados e intemporais colegas. Cada história evoca a magia e o prazer descuidado de se ser criança.

No sábado, 16 de Outubro, pelas 15H, por ocasião da 11ª Festa do Cinema Francês, no Cinema S. Jorge, poderemos assistir à estreia do filme de Laurent Tirard baseado na obra literária infantil e que dá pelo título «Le petit Nicolas». Divirtam-se!



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Reflexão sobre «Um mundo sem regras»

O escritor franco-libanês Amin Maalouf publicou em França, em Fevereiro de 2009, o seu mais recente ensaio intitulado no original Le dérèglement du monde, que lemos com grande interesse.
Apenas um reparo à tradução do título, que apesar de correctíssimo, em nosso entender ganharia toda a pertinência  cultural e intertextual se fosse traduzido, por exemplo, como «O Desconcerto do Mundo». Com efeito, o vocábulo"desconcerto" tão recorrente na poesia de Camões, e não só, dá metaforicamente conta da abrangente temática deste ensaio de Maalouf.
Esta obra constitui um diagnóstico terrível dos males que assolam o nosso planeta, mostrando o esgotamento em que o mundo actual mergulhou. O autor mostra uma vasta cultura e procede a uma análise refinada dos fenómenos, mas sempre numa linguagem e estilo claros e acessíveis. Com a devida pertinência, enuncia os factos e os problemas, dando o alerta sobre o estado lamentável em que nos encontramos a nível civilizacional, económico-financeiro, ou climático e ético.
Neste livro, o tom de urgência é constante pois, segundo o autor, chegámos a um ponto em que só temos duas vias possíveis: perecemos juntos ou salvamo-nos juntos. Esta visão pessimista surge entrecortada por alguns laivos de esperança, caso saibamos valorizar o que nos une e lutemos pela sobrevivência de todas as imensas conquistas da humanidade.
Depois da falência do comunismo, do capitalismo, do ateísmo e da religião, o séc. XXI poderá ser o da cultura ou não será nada, mergulhando a humanidade e o planeta inexoravelmente no abismo.