O escritor franco-libanês Amin Maalouf publicou em França, em Fevereiro de 2009, o seu mais recente ensaio intitulado no original Le dérèglement du monde, que lemos com grande interesse.
Apenas um reparo à tradução do título, que apesar de correctíssimo, em nosso entender ganharia toda a pertinência cultural e intertextual se fosse traduzido, por exemplo, como «O Desconcerto do Mundo». Com efeito, o vocábulo"desconcerto" tão recorrente na poesia de Camões, e não só, dá metaforicamente conta da abrangente temática deste ensaio de Maalouf.
Esta obra constitui um diagnóstico terrível dos males que assolam o nosso planeta, mostrando o esgotamento em que o mundo actual mergulhou. O autor mostra uma vasta cultura e procede a uma análise refinada dos fenómenos, mas sempre numa linguagem e estilo claros e acessíveis. Com a devida pertinência, enuncia os factos e os problemas, dando o alerta sobre o estado lamentável em que nos encontramos a nível civilizacional, económico-financeiro, ou climático e ético.
Neste livro, o tom de urgência é constante pois, segundo o autor, chegámos a um ponto em que só temos duas vias possíveis: perecemos juntos ou salvamo-nos juntos. Esta visão pessimista surge entrecortada por alguns laivos de esperança, caso saibamos valorizar o que nos une e lutemos pela sobrevivência de todas as imensas conquistas da humanidade.
Depois da falência do comunismo, do capitalismo, do ateísmo e da religião, o séc. XXI poderá ser o da cultura ou não será nada, mergulhando a humanidade e o planeta inexoravelmente no abismo.
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